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CONVERSANDO SOBRE SEXO

Temos o hábito de não conversar sobre sexo. A não ser as ‘conservas de bar’ sobre sexo dos outros, sobre quem pode mais. Não se conversa com o parceiro sobre o que se sente, o que se gostam e seus limites.

Participar ao outro sobre as fantasias e ter consciência do que gosta ou não é fundamental para uma prática sexual saudável e satisfatória. Ou seja, estar inclinado a conversar de forma sincera é indispensável para proporcionar uma atmosfera de entrega.

No terreno feminino, apenas metade das mulheres se conhece a ponto de poder dizer como prefere ser tocada: fator cultural que mesmo depois das reivindicações pelo direito em desfrutar plenamente da sexualidade e das transformações sociais que a incentivaram a progredir em vários aspectos, o seu erotismo continua sendo percebido de forma muito limitada. Com medo de serem ridicularizadas ou criticadas, as mulheres não costumam ter iniciativa sexual. É a chamada ‘síndrome da boa menina’. Alguns homens gostariam de ter essa tarefa dividida com elas, mas muitas são as que foram criadas com a idéia de que precisam ser conquistadas e não conquistarem. Talvez, ter uma conversa dessa possa ser constrangedor. Elas não foram preparadas, nem educadas para tal. Mas é preciso ter em mente que não se deve ter vergonha dos sentimentos, sejam eles de qual natureza for. Mas também, não é necessário entregar todo o jogo logo de cara. Pode-se ir revelando aos poucos com mais intimidade, à medida que o relacionamento se torna mais maduro e confiante.

Não precisa ter vergonha ou medo de pedir. Mesmo assim, se o (a) parceiro (a) não entender, demonstre como gosta de ser tocada. Uma boa tática é prestar atenção ao que ele (a) faz com você. Normalmente fazemos com o outro o que gostaríamos que ele fizesse conosco. E deste modo, você também ficará de olho no que ele (a) pede.

Além disso, sexo bom não é necessariamente aquele conversado ou berrado. Cada toque é falado, cada sensação pode (ou não) ser traduzida em palavras. O corpo se encarrega de muitas coisas, inclusive demonstrar prazer, já que a resposta sexual tem início na imaginação e vai se deslocando para os sentidos que indicam por meio das transformações corporais. Portanto, exprima o seu na medida em que ele é sentido sem forçar a barra ou quebrar o clima.

Fundamental nessa hora é opor-se o preconceito. Quando falamos de sexo, não existe certo ou errado, existe o que faz sentido e funciona com o seu modo de ser. Mas não se pode esquecer que você está em dupla, então pondere os valores e veja o que pode ser enriquecedor e gostoso para todos aqueles que estiverem envolvidos.

Outro fator importante a ser lembrado: cama não é passarela. As mulheres se perdem nas próprias preocupações físicas e se esquecem de sentir prazer por permanecerem fazendo pose e, dessa forma, não conseguem se entregar ao sexo, fermentando a ansiedade.

No sexo, menos vale aquele corpo perfeito maquiado pelos photoshop das revistas. Os homens na verdade prestam mais atenção na sedução e na entrega da parceira e o desejo que ela provoca do que aquela gordurinha que insiste em morar ali. Duvide da crença de que só oferecendo algo espetacular conseguirá ser amada. E lembre-se de que, muitas vezes, a ansiedade é um medo intenso e irracional e que libera hormônios que não permitem a excitação acabando, muitas vezes, por reforçar alguns sintomas.

Já para os homens, algo temido é tamanho do pênis, acreditando que este possa interferir no prazer. O homem passa a ser o próprio órgão, e o órgão passa a ser o homem. Às vezes, a preocupação com o pênis, na verdade diz respeito a um sentimento de diminuição na vida em geral e acaba servindo de explicação para não se relacionar com outras pessoas.

Outra coisa que afeta o comportamento masculino na hora “H” é a imposição sobre a freqüência sexual, a disponibilidade para o sexo e a quantidade de vezes que o homem consegue manter a ereção. Tal pressão pode não deixar espaço para sentir desejo. Faz parte do imaginário popular que o homem estará com seus pensamentos voltados para o sexo. A cultura também reforça esse lugar e ele pode se sentir coagido por tais imposições e acabar trocando qualidade por quantidade. Numa ditadura machista, os homens, não pode nunca falhar, tem que estar sempre disposto e disponível. Essa regra custa caro já que eles não podem simular uma ereção e, assim, não consegue encarar o sexo como uma troca gostosa de carinho.

Ambos também se vêem coagidos com outras questões. Presos a ditadura dos orgasmos, a mulher encara o sexo como prova de que “sinos e fogos de artifício existem”. O homem o vê como uma prova a ser cumprida, algo a ser oferecido - para os dois. Orgasmo é algo que flui naturalmente de uma troca de carinho sem obrigatoriedade.

Se você não gostar de si, dificilmente alguém gostará. Descobrir como se valorizar poder ser um processo lento, ligado com a forma como se dá conta dos próprios limites. Esse é um processo rico que permite novas formas de estar em contato com o outro, consigo, com o mundo.

Valorize-se como pessoa, o seu corpo e o do seu parceiro. Dê conta dos seus desejos, se leve a sério, assim como a relação. Fingir o que quer que seja, procurar por algo utópico de ser achado, se pressionar a uma disposição perfeita e diária, tira do ato sexual a sua forma prazerosa e até lúdica de estar em contato com quem se curte. Um bom afrodisíaco ainda é sentir-se amada pelo parceiro e o parceiro sentir-se admirado pela parceira.

O sexo é um encontro mais do que íntimo onde se não houver ao menos respeito pela parceria, não há entrega, não há envolvimento, não há prazer.Evite expectativas e permita-se sentir mais o presente. A intimidade é conseguida pelo tempo, por uma aliança invisível. Se você e a pessoa escolhida estiverem à vontade, tudo fluirá naturalmente. Combata qualquer medo antes de se entregar, para que a entrega possa se dar por completo, sem arrependimentos ou receios. Não force a barra, se não sentir segurança, mas não se deixe vencer pela insegurança.

Sexologia Sexologia






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Autor
Dra. Ana Paula Veiga

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Título: CONVERSANDO SOBRE SEXO
Data de Publicação : 05/01/2010 - Revisão : 05/01/2010 - Acesso : 07/09/2010

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