VAGINA

Por muito tempo o homem foi a norma da mulher, sendo o pênis o padrão de medida da genitália dela. Apesar disso, a representação feminina é mais antiga, visto que o órgão masculino teve um reconhecimento tardio no processo da reprodução. Mas, ao longo dos séculos, as referências à vagina transformaram-na de potente para vergonhosa. Nesse processo, já foi considerada suficientemente poderosa, a ponto de ser utilizada como um catalisador para resgatar a terra e toda a vida da destruição, sendo capaz de afastar o mal. Porém com o advento do Cristianismo, passou a ser vista como fonte de todo o mal, tornando-se indispensável, assim, sua repressão. Hoje relacionada com a pornografia, é negativa e vergonhosa: uma representação triste e bem pobre de um órgão de reprodução e prazer.

Mas, falemos sobre a estrutra da vagina. Com grande número de terminações nervosas e paredes elásticas, a vagina é o canal do órgão sexual feminino e parte do aparelho reprodutor, que se estende desde o colo do útero até a vulva. A sua parte interna que vai até a porção inicial do útero denomina-se canal vaginal, e apresenta origens embriológicas distintas. Já o sistema reprodutor feminino, localizado no interior da cavidade pélvica, é composto por dois ovários (gônadas que produzem hormonios sexuais femininos), duas tubas uterinas (ou trompas de Falópio, que são os ductos que unem o ovário ao útero), útero (órgão oco localizado na cavidade pélvica anterior à bexiga e posterior ao reto, de parede muscular espessa e revestido internamente por um tecido vascularizado rico em glândulas, o endométrio) e vagina.

A genitália externa, também chamada de vulva, é protegida e delimitada por duas pregas intensamente inervadas e irrigadas, os grandes lábios que são recobertos por pêlos pubianos e envolvem os pequenos lábios, vagina, uretra e clitóris. Mais internamente, encontram-se os pequenos lábios, que têm a função de proteger a abertura da uretra e da vagina. Também na vulva encontra-se o clitóris, parcialmente escondido pelos pequenos lábios e incrivelmente sensível ao toque, formado por tecido esponjoso erétil.

No limite entre a vagina e a vulva constitui-se uma dobra denominada hímem, símbolo e sinal da virtude vaginal, que se encontra na porção anterior do canal em mulheres virgens. O hímem é uma membrana fina e circular, com algumas perfurações que permitem a saída da menstruação, capaz de fechar parcialmente o orifício vulvo-vaginal. Normalmente perfurado durante a primeira relação sexual, podendo ocorrer sangramento, ainda que atividades que não envolvam sexo possam causar o seu rompimento.

A vagina aumenta de tamanho quando estimulada sendo capaz de se acomodar ao pênis: avança para um curto, recua para um comprido, se dilata diante de um groso e se contrai para um fino. De paredes elásticas, liga o colo do útero aos genitais externos. De cada lado da abertura vaginal existem duas glândulas de meio milímetro, chamadas Glândulas de Bartholin, responsáveis pela secreção de um muco lubrificante durante a cópula.

O pH da vagina deve ser ácido a fim de evitar infecções na região. Seu odor característico se dá pela presença de bactérias presentes na flora microbiana. Mas é importante cuidar da higiene da vulva para evitar a presença de microorganismos capazes de transmitirem doenças e gerar desconforto.

A higienização deve ser feita com água e sabonete neutro (inclusive os íntimos) sem exageros para que não se perca a camada de proteção e desequilibre o pH vaginal, que já oscila dependendo do bem-estar físico, mental e até mesmo da alimentação da mulher. Esses fatores interferem, também, no muco vaginal, agente protetor que vive em constante alteração,  dependendo do ciclo menstrual, assim como das atividades sexuais. Ele é um barômetro da mulher e do seu estilo de vida, sendo também capaz de demonstrar quando ela está ovulando. Nessa época ele se faz pegajoso e com aspecto de clara de ovo, facilmente permeável aos espermatozóides.

É a partir da adolescência e sob a ação de hormônios que os folículos ovarianos começam a crescer e a se desenvolver, secretando estrogênio. Todos os meses, apenas um folículo completa o ciclo de desenvolvimento e maturação, rompendo-se e liberando o ovócito secundário, num fenômeno conhecido como ovulação, que ocorre aproximadamente na metade do ciclo menstrual.  Ele é composto de 28 dias e acontece devido a fatores controlados por hormônios com a função principal de preparar o organismo para a gestação. O primeiro dia do ciclo é o início da menstruação, uma descamação do endométrio acompanhada de saída de sangue.

Outro ponto importante, e ao qual não se dá a devida atenção, é a função do assoalho pélvico, também conhecido como pubococcígeo, formado por músculos e ligamentos que sustentam os órgãos pélvicos. Ele deve ser exercitado com a função de melhorar a excitação sexual e diversos outros problemas que surgem a partir do afrouxamento de tais musculaturas, desde questões simples, como a incontinência quando se tem acessos de tosse, espirros, ou atividades musculares, que aumentam a pressão intra-abdominal, até as incontinências urinárias mais graves, em se faz necessário um tratamento mais específico. Exercitar tais músculos facilita tanto na hora do parto normal, quanto na recuperação, evitando-se, assim, que a mulher tenha tardiamente uma ptose de órgãos.

De diversos nomes, representações culturais diferentes e coberta de mensagens confusas, para muitos a vagina é o canal da vida, a sede do prazer feminino. Para outros, um órgão temido a ser coberto, um recipiente passivo. Mesmo que a importância da anatomia sexual feminina, para a reprodução e o prazer, seja inegável, o conhecimento de sua estrutura e função continua a engatinhar. Por que tanta desinformação num século governado pela informação?


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Autor

Título: Vagina

Link : | Data de Acesso : 01/10/2016 - Código do Conteúdo : Artigo 785 | Palavras-Chave : Vagina - Sexologia - Vulva , Genitália Feminina , Órgão Sexual Feminino





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