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INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA (IRA)

O que é?

A IRA é a supressão abrupta da função renal em conseqüência de alterações renais agudas, caracterizada pela oligúria (volume urinário menor que 20ml/h) ou anúria (ausência de urina).

Há três tipos de IRA dependendo do local onde se dão as alterações agudas: antes do rim, no rim e depois do rim: pré-renal, renal ou pós-renal.
 

Pré-renal:

É uma alteração que ocorre antes do rim, levando à insuficiência funcional ou lesão orgânica. Ocorre por insuficiência circulatória aguda, por falta de líquidos (hipovolemia), por desidratação grave ou perda de sangue. Pode ocorrer, também, por queda da pressão arterial do sangue circulante. Quando a pressão arterial cai a menos de 90mmHg o sangue tem pouca pressão para filtrar e por isso se torna insuficiente. As situações mais comuns de hipotensão são o choque hemorrágico, traumático ou infeccioso (bactérias).

Renal:

É a lesão que atinge agudamente o rim seja por tóxicos (químico ou medicamentoso), seja por inflamações (nefrites) ou por morte de células do rim (necrose do glomérulo ou do túbulo renal).

Pós-renal:

É a que ocorre por obstrução das vias urinárias, impedindo a passagem da urina pela via urinária. A obstrução pode ocorrer em qualquer parte da via urinária: pelve renal, ureter, bexiga ou uretra.

Como se reconhece?

O paciente está com IRA quando urinar menos do que 400 ml de urina por 24 horas.

A evolução da IRA ocorre em três fases:
 

A fase inicial é o período durante o qual se dá a instalação da doença desencadeada pela causa provocadora. Ela pode passar desapercebida pelo paciente e pelo médico, que preocupados com a doença causadora, esquecem de observar a produção de urina. O principal achado médico na IRA é a pequena produção de urina.
A segunda fase é a de notória escassez ou ausência de urina, que dura de 8 a12 dias. A urina dessa fase além de ser de pequeno volume, não contribui para eliminação das toxinas ("lixo" metabólico) que se acumulam no sangue (uréia, potássio, acidose). Quando os tóxicos se acumulam no sangue causam transtornos clínicos importantes conhecidos por uremia. O paciente urêmico apresenta-se com náuseas, vômitos, hipertensão, edema, contrações musculares, alterações da consciência e pode atingir o coma. Essa é a fase na qual ocorre a maioria das mortes por coma urêmico, insuficiência cardíaca congestiva, hiperpotassemia, acidose metabólica e infecções respiratórias importantes.
A terceira fase é a da recuperação, com o paciente voltando ao normal se houver melhora progressiva da função renal. O volume urinário e a eliminação das toxinas acumuladas vão aumentando e começa a ocorrer recuperação da função renal. O quadro clínico tem melhoras evidentes. Essa fase pode durar de 7 a 14 dias.

Como se previne e trata?

Em primeiro lugar a insuficiência renal aguda deve ser evitada para que as lesões renais não se tornem irreversíveis. Há um pequeno período em que as alterações que atingiram o rim são ainda reversíveis. Chama-se esse período de IRA reversível ou funcional, pois ainda há tempo de impedir que as lesões se tornem irreversíveis. Assim, faltando água, plasma ou sangue, devemos repor as carências. Se houver hipotensão, devemos normalizar a pressão arterial. Se houver substâncias tóxicas, devemos retirá-las da circulação sangüínea.

Se a fase reversível for ultrapassada e as toxinas forem se acumulando no organismo, somente os métodos artificiais de limpeza do sangue poderão resolver. Trata-se do método de diálise: hemodiálise ou diálise peritoneal. Torna-se obrigatória a utilização de métodos dialíticos. A sobrecarga de volume, o potássio elevado, a acidose metabólica, a pericardite e a uremia aumentam a mortalidade dos pacientes se esses não forem dialisados.

Nos pacientes em que a causa da IRA for pós-renal, devemos corrigir a causa da obstrução, retirando cálculos, tumores ou estreitamentos que levaram à dificuldade de trânsito da urina.

A ausência completa de urina pode surgir nas seguintes situações: oclusão bilateral das artérias e veias renais, obstrução completa da uretra e ureteres, necrose cortical renal e glomerulonefrite rapidamente progressiva.

Perguntas que você pode fazer ao seu médico

Que doença atingiu o meu rim?

Que tipo de infecção renal aguda eu tenho?

Qual a capacidade funcional atual do meu rim?

Que tratamento devo fazer para evitar a evolução da minha doença renal?

Quando terei que fazer hemodiálise?

Leia também: INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA , HEMODIÁLISE , EDEMA , NEFRITE , DIABETES , HIPERTENSÃO ARTERIAL , HIPERTENSÃO - PREVENÇÃO E TRATAMENTO , INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA , Nefrologia Nefrologia






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Autor
Dr. Otto Busato (†)

 Outros artigos do autor

Título: INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA
Data de Publicação : 01/11/2001 - Revisão : 05/01/2010 - Acesso : 02/09/2010
Palavras-Chave:  INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA  - Insuficiência Renal , Feficiência Renal , Uremia , Doença Renal Final

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